QUARTA DA MÍDIA JOVEM – HELEN MOZÃO

Apresentamos o Quarta da Mídia Jovem, que vai trazer toda semana as produções de egressos da CIPÓ, jovens que integraram algum dos nossos projetos. Começamos com o belo trabalho da fotopoetisa Helen Mozão, que nos conta um pouco da sua trajetória.

Perfil

“A fotografia era apenas um motivo para entrar no mundo da arte”

Ela sempre teve uma vontade enorme de revolucionar e acreditava que ser advogada era o caminho, sonho de adolescente, até se tornar jovem aprendiz no Tribunal de Justiça e se decepcionar com a prática jurídica. Com a bolsa que ganhava do estágio, comprou sua primeira câmera. “A fotografia era apenas um motivo para entrar no mundo da arte”, nos conta. Aprendeu a fotografar sozinha, fazendo videoaulas na internet. Com enorme gosto pelos traços, também expressava suas ideias através dos desenhos, queria ser designer. Enquanto pensava sobre sua ideologia, estudava para o vestibular. Um colega do cursinho lhe falou sobre a Oi Kabum – Escola de Arte e Tecnologia, que foi coordenada pela CIPÓ até 2015. Não passou no vestibular e no ano seguinte ficou sabendo da seleção. Queria estar lá e, com toda sua vontade, dispensou trabalhos e se dedicou dia e noite a passar nesta seleção, até alcançar seu objetivo. Ali percebeu que podia revolucionar através da arte. “A Kabum foi onde surgiu a Helen Mozão como artista. Lá eu aprendi a pensar no outro para além da técnica”. Para ela, era mais do que um lugar para aprender fotografia. “Era um lugar para expressar meus sentimentos, mostrar as minhas escritas poéticas. Eu já sabia muitas coisas sobre a fotografia, mas a questão da identidade fotográfica e a poética eu descobri lá”. Foi também onde começou a escrever seus projetos autorais, atrelando poesia e fotografia. “Eu não sei dizer como seria Helen hoje, enquanto artista, sem ter passado pela Kabum. Lá conheci amigos, tive oportunidades. A CIPÓ é uma instituição que acredita na gente antes mesmo de você”. Helen diz que seu trabalho não se enquadra em nenhum padrão e define a sua arte como fotopoesia. Mulher periférica, fotopoetisa no olhar e nas ideias, como se descreve aos 22 anos, Helen se esbarra nos desafios do mundo profissional. “É difícil revolucionar no trabalho ideológico atrelando ao trabalho comercial. Não é fácil ter um trabalho voltado para o empoderamento de mulher negra e periférica”. Helen Mozão aprendeu a revolucionar através da estética e fez da arte um caminho possível para expressar toda a sua indignação. E faz isso com muita beleza. Veja alguns dos seus trabalhos.


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